By Wagner José
Texto de Fernando Araújo, retirado do site http://portal.rpc.com.br/jl/geral/conteudo.phtml?id=770659 , no dia 30 de maio de 2008 as 17:10.
Os hospitais de Londrina estão sem a coleta regular do lixo orgânico. O decreto 276/08 baixado no mês passado pelo prefeito Nedson Micheleti determinou que, a partir do último dia 11, a empresa Qualix, concessionária da coleta de lixo, deixasse de recolher os orgânicos dos estabelecimentos que geram mais de 200 litros por dia. Esse material não deve ir mais para o aterro municipal. Segundo legislação federal, os grandes geradores são responsáveis pela destinação correta do lixo. O decreto do prefeito foi uma resposta às pressões feitas pelo Ministério Público para que essas leis sejam cumpridas.
No dia 16 de maio, o Sindicato dos Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares obteve uma liminar na Justiça suspendendo os efeitos do decreto municipal. Mas, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), que gerencia o sistema, o Ministério Público determinou que a coleta continuasse suspensa para os estabelecimentos não-representados pelo sindicato. “A determinação é só recolher dos grandes produtores do segmento da entidade”, disse o diretor de Operações, Marcelo Barreto. De acordo com ele, a coleta também não está sendo feita nas indústrias e nos supermercados.
“Eu acho que [a liminar] é só para o sindicato”, alegou a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Solange Vicentin. Mas ela se disse surpresa pelo fato de os hospitais serem considerados grandes geradores. “Não sabia que um hospital pode gerar mais de 200 litros de lixo diário”, afirmou.
Com cerca de 200 pacientes internados e 900 funcionários, a Santa Casa de Londrina produz, em média, 700 litros de lixo orgânico diariamente. “Produzimos o mesmo tipo de lixo de uma casa. Mas uma casa com mais de mil pessoas”, definiu o diretor da Santa Casa, Fahd Haddad.
Ontem, os representantes dos hospitais se reuniram com a diretoria da CMTU para tentar uma solução. A coleta foi restabelecida temporariamente. Hoje, às 9 horas haverá uma outra reunião com a participação também do Ministério Público e do Instituto Ambiental do Paraná (IAP). “Mesmo com a liminar, ninguém está livre de fazer o seu plano de gerenciamento”, disse a promotora.
Para Haddad, que é presidente do Sindicato dos Hospitais e Serviços de Saúde de Londrina e Região, não houve tempo de os hospitais se organizarem para a coleta. Ele ainda afirmou que todo os órgãos de saúde passam por dificuldades financeiras e que é muito difícil obter recursos para dar fim aos resíduos orgânicos. “Para fazer o plano de gerenciamento do lixo hospitalar levamos um ano. É preciso lembrar que hospital não possui finalidade lucrativa”, assinalou. O lixo hospital é recolhido por empresas privadas e o custo do serviço é bancado pelos próprios hospitais.